Desde que ingressei na Faculdade de Educação Física, o corpo e a corporeidade humana têm feito parte de meu interesse. Como nossos corpos nos constituem e como constituímos esses corpo. Como se deu o processo civilizador de cada cultura.
Fico encantada observando as diferenças e semelhanças nas diferentes culturas.
Nessa temporada de vivência fora do Brasil e, em um momento em que a Europa (e quase o resto do mundo todo também) passa por um crise bem complicada a questão do imigrantes têm sido muito abordada pela imprensa daqui. Isso me fez atentar para quantidade de culturas diversas que temos por aqui,bem debaixo de nosso nariz.
E meus olhos e ouvidos ficam perspicazes tentando compreender as sutis diferenças entre pessoas que me parecem, ao primeiro olhar, tão iguais.
E é muito legal o que se descobre. São tantos loiros ou caucasianos diferentes, são tantos orientais diferentes, são tantos negros ou africanos diferentes, são tantos asiáticos diferentes. Tão iguais como raça humana, tão diferentes pelas características físicas e pelas culturas, tão diferentes, mesmo dentro das igualdades.
Observo as formas físicas, a cor da pele, o formato dos dentes, o tamanho e o formato da cabeça, a altura, o tamanho da bunda (sim, a bunda é um pedaço de tantas diferenças), os tipos de cabelos, a cor dos olhos.
Observo as diferenças de movimento humano, há grupos graciosos, com andar leve, macio. Há outros que possuem um ritmo, uma ginga deliciosa. Há aqueles que controlam o corpo o tempo todo, de forma que a mim parece severa. Não se permitem rir, ou elevar nem um tiquinho a voz.
Observo as roupas, as cores, as transparências, os comprimentos, o que mostram e o que escondem.
Fico me questionando como as mulheres de burca, ou com longos vestido e saias, véus na cabeça e sobre o corpo, como aguentam o calor de quase 40 graus do verão europeu?
Me encantam os tipos de tecidos, a leveza de alguns, as cores de outros, as estampas, tudo...
Tento entender porque os homens alemães têm tantas camisas xadrezes?
Enfim essa viagem tem sido um grande laboratório de observação e acho que enquanto vou contando sobre os passeios e os estudos não conseguirei fugir dessas observações.
sábado, 2 de maio de 2020
Teatro Olímpico Vicenza
Visitamos o Teatro Olímpico de Vicenza quando recebemos a visita de João Pomilio, meu enteado que faz teatro. Vicenza é, também, a cidade de meu professor de italiano, na Casa de Itália, em Campinas. Foi impossível de andar por lá sem pensar na saudade que ele deve sentir de sua cidade, seus costumes, suas origens,
Um dia bastante sem cor, João entediado e com aquela preguicinha após almoço.
Mas foi legal conhecer a cidade e seu teatro.
Andrea Palladio um dos maiores construtores da Renascença foi o responsável pelo projeto de construção do Teatro Olímpico de Vicenza, o primeiro teatro coberto de toda a Europa. A obra foi encomendada pela Accademia Olimpica da cidade, e sua construção teve início em 1580, sendo finalizada em 1585. No dia de sua inauguração foi apresentada a peça Édipo Rei, de Sófocles.
Um dia bastante sem cor, João entediado e com aquela preguicinha após almoço.
Mas foi legal conhecer a cidade e seu teatro.
Andrea Palladio um dos maiores construtores da Renascença foi o responsável pelo projeto de construção do Teatro Olímpico de Vicenza, o primeiro teatro coberto de toda a Europa. A obra foi encomendada pela Accademia Olimpica da cidade, e sua construção teve início em 1580, sendo finalizada em 1585. No dia de sua inauguração foi apresentada a peça Édipo Rei, de Sófocles.
sábado, 15 de agosto de 2015
Ravena, Mosaicos e a Paixão de Aprender
Ravena, Mosaicos e a
Paixão de Aprender
Tenho pensado muito na
questão do desejo de aprender e nas coisas que tenho vivido na
Itália. Apesar de me me referenciar, atualmente, em diferentes
pensadores e correntes pedagógicas, foram Piaget e Vygotsky os
primeiros que me vieram à lembrança quando pensei nas aprendizagens
que tenho construído nos últimos meses.
É uma construção
contínua, comparável à edificação de um grande prédio que, na
medida em que se acrescenta algo, ficará mais sólido, ou à
montagem de um mecanismo delicado, cujas fases gradativas de
ajustamento conduziriam a uma flexibilidade e uma mobilidade das
peças tanto maiores quanto mais estável se tornasse o equilíbrio.
(PIAGET,1990 p.12)
Não se pode gostar
daquilo que não se sabe que existe e quanto mais se conhece mais se
compreende e maior é a possibilidade de gostar. E quanto mais se
gosta, mais se quer conhecer. Isso é muito gostoso.
Penso que nunca gostei de
mosaicos, por exemplo. Nunca estudei sobre isso na escola. Tive
noções de história da arte, algumas menções sobre escultura,
nada de arquitetura e o pouco que sei sobre pintura (que é a arte
visual que mais me agrada) aprendi com minha mãe.
Aprendi alguma coisa de
história, para além do conteúdo escolar, com minha irmã Nara, que
sempre gostou dessa área. Lembro que ela colecionava a revista
Conhecer e que cada fascículo que chegava em nossa casa era uma
alegria, pois depois que explorávamos, do nosso jeito, Nara sempre
explicava alguma coisa a mais, daquilo que nos havia interessado.
Por ter uma visita
programada a Ravena, me detive em estudar um pouco sobre a história
daquela cidade e da arte que encontraria lá, em especial os
mosaicos. Foi lembrando das coisas que via na revista Conhecer,
de palavras soltas como Ostrogodos, Bizantinos e Gótico, que me deliciei pesquisando
sobre Ravena.
Meu olhar alargou,
compreendi o porquê de tantos dourados, das figuras planas.
Voltei apaixonada pela cidade, pelos mosaicos e pela compreensão da ligação entre oriente e ocidente.
Voltei apaixonada pela cidade, pelos mosaicos e pela compreensão da ligação entre oriente e ocidente.
Voltei pensando, também,
na responsabilidade que temos, como educadores, de ampliar o universo
de conhecimento de nossos alunos. Uma pequena indicação do caminho,
um breve comentário sobre alguma gravura, fotografia ou texto pode
ser o disparador do desejo e dos significados que que cada um irá
atribuir às descobertas posteriores.
Vygotsky
trabalha explícita e constantemente com a ideia de reconstrução,
de reelaboração, por parte do indivíduo, dos significados que lhe
são transmitidos pelo grupo cultural. A consciência individual e os
aspectos subjetivos que constituem cada pessoa são, para Vygotsky,
elementos essenciais no desenvolvimento da psicologia humana, dos
processos psicológicos superiores. A constante recriação da
cultura por parte de cada um dos seus membros é a base do processo
histórico, sempre em transformação, das sociedades humanas.
(KOHL, 1993, p. 63)
Ravenna ficou guardada em
um cantinho bem especial de meu coração e as coisas que vi e
aprendi por lá já me fizeram ver de outra forma as coisas que vi
depois. Também me fizeram compreender um pouco melhor outras, que já
tinha visto antes e enxergado de um jeito diferente do que vejo
agora.
Essa é a paixão do
aprender. Amooo.
KOHL,
M. Vygotsky:
Aprendizado e desenvolvimento. Um processo sócio-histórico.
São Paulo: Scipione,1993, p.63.
PIAGET,
J. Seis
estudos de Psicologia.
Rio de Janeiro: Forense Universitária Ltda, 1990, p.12.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ravena
15/08/2015 12h50
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Retomando o Blog para Viver em Pádua
Após 4 anos, retomo a escrita do meu blog.
Tenho vivido tantas coisas novas, aqui em Pádua, feito tantas aprendizagens, conhecido tantas pessoas.
Quero registrar tudo isso, para que, mais tarde, quando me procure, quem sabe o esquecimento, angústia de quem envelhece, eu possa dizer da vida que tive....
Tenho vivido tantas coisas novas, aqui em Pádua, feito tantas aprendizagens, conhecido tantas pessoas.
Quero registrar tudo isso, para que, mais tarde, quando me procure, quem sabe o esquecimento, angústia de quem envelhece, eu possa dizer da vida que tive....
domingo, 3 de julho de 2011
Veteranos de Guerra
Recebi, hoje, esta crônica , e gostei demais, por isso quis postar.
É tão bom poder conversar sobre sentimentos com pessoas que fizeram e fazem parte de nossas vidas.
Nos ajuda a perceber como somos privilegiados em viver momentos especiais, que nos fazem mais humanos.
Outro dia li o comentário de alguém que dizia que o casamento é uma armadilha: fácil de entrar e difícil de sair. Como na guerra.
Aí fiquei lembrando dos desfiles de veteranos de guerra que a gente vê em filmes americanos, homens uniformizados em suas cadeiras-de-roda apresentando suas medalhas e também suas amputações.
Se o amor e a guerra se assemelham, poderíamos imaginar também um desfile de mulheres sobreviventes desse embate no qual todo mundo quer entrar e poucos conseguem sair ilesos. Não se perde uma perna ou braço, mas muitos perdem o juízo e alguns até a fé.
Depois de uma certa idade, somos todos veteranos de alguma relação amorosa que deixou cicatrizes. Todos.
Há inclusive os que trazem marcas imperceptíveis a olho nu, pois não são sobreviventes do que lhes aconteceu, e sim do que não lhes aconteceu: sobreviveram à irrealização de seus sonhos, que é algo que machuca muito mais.
São os veteranos da solidão.
Há aqueles que viveram um amor da juventude que terminou cedo demais, seja por pressa, ou por inexperiência. Casam-se, depois, com outra pessoa, constituem família e são felizes, mas dói uma ausência do passado, aquela batalha perdida.
Há os que amaram uma vez em silêncio, sem se declarar, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada.
Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estraçalhou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado.
E há os que viveram amores ardentes, explosivos, computando vitórias e derrotas diárias: saem com talhos na alma, porém mais fortes do que antes.
Há os que preferem não se arriscar: mantêm-se na mesma trincheira sem se mover, escondidos da guerra, mas ela os alcança, sorrrateira, e lhes apresenta um espelho para que vejam suas rugas e seu olhar opaco, as marcas precoces que surgem nos que, por medo de se ferir, optaram por não viver.
Há os que têm a sorte de um amor tranqüilo: foram convocados para serem os enfermeiros do acampamento, os motoristas da tropa, estão ali para servir e não para brigar na linha de frente, e sobrevivem sem nem uma unha quebrada, mas desfilam mesmo assim, vitoriosos, porque foram imprescindíveis ao limpar o sangue dos outros.
Há os que sofrem quando a guerra acaba, pois ao menos tinham um ideal, e agora não sabem o que fazer com um futuro de paz.
Há os que se apaixonam por seus inimigos. A esses o céu e o inferno estão prometidos.
E há os que não resistem até o final da história: morrem durante a luta e viram memória.
Todos são convocados quando jovens.
Mas é no desfile final que se saberá quem conquistou medalhas por bravura e conseguiu, em meio ao caos, às neuras e às mutilações, manter o coração ainda batendo..
(Martha Medeiros - Caderno ZH 03/04/2011)
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Sobre a crítica ao livro do MEC "Por uma vida melhor"
NOTA PÚBLICA
A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd); a Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE); a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), o Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) vêm a público manifestarem-se sobre a polêmica instaurada pela imprensa sobre a adoção do livro "Por uma vida melhor", de autoria de Heloisa Ramos, pelo Ministério da Educação. Consideraram que as críticas que vêm sendo difundidas pelos meios de comunicação são infundadas, além de contribuírem para o preconceito e a discriminação social. Diante disso, as referidas entidades assumem o depoimento da pesquisadora Marlene Carvalho, como expressão de sua posição crítica.
Brasília, 27 de maio de 2011.
A fala dos pobres: muito barulho por nada
Trabalho há mais de 20 anos com formação inicial e continuada de professores do ensino fundamental e tenho procurado discutir com eles sobre a legitimidade dos falares populares, a necessidade de reconhecer que a língua dos pobres tem regras próprias, expressividade e economia de recursos. Não é prestigiada socialmente, não tem valor no mercado de empregos de colarinho branco, não é admitida na Academia, mas, do ponto de vista linguístico, é tão boa quanto o dialeto chamado padrão. A diferença maior é que os falantes do dialeto padrão têm o poder político, social e econômico que falta aos pobres. Não cabe à escola ignorar, ou censurar as variantes populares, mas sim respeitar a fala dos alunos e, ao mesmo tempo, ensinar a todos a empregar também a norma culta em ocasiões sociais que exigem um registro formal da língua e, principalmente, como usá-la na escrita. Sobre isso é que interessa discutir agora, e não dar continuidade a esta polêmica estéril sobre um livro destinado a jovens e adultos que reconhece a existência e a legitimidade de formas verbais típicas dos dialetos populares. As pessoas que criticaram o livro em questão – que provavelmente não leram - devem ler o capítulo "Escrever é diferente de falar", para constatar que a autora assume uma posição equilibrada e academicamente justificada em relação às variações dialetais. Além disso, o capítulo contém numerosos exercícios de concordância nominal e verbal e pontuação, rigorosamente de acordo com a gramática da norma culta. Uma ou duas frases, fora do contexto do capítulo, estão sendo utilizadas para condenar um livro e a posição da autora em favor da língua dos pobres.
Marlene Carvalho, professora aposentada da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Linguagem, Leitura, Escrita e Educação (LEDUC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd); a Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE); a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), o Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) vêm a público manifestarem-se sobre a polêmica instaurada pela imprensa sobre a adoção do livro "Por uma vida melhor", de autoria de Heloisa Ramos, pelo Ministério da Educação. Consideraram que as críticas que vêm sendo difundidas pelos meios de comunicação são infundadas, além de contribuírem para o preconceito e a discriminação social. Diante disso, as referidas entidades assumem o depoimento da pesquisadora Marlene Carvalho, como expressão de sua posição crítica.
Brasília, 27 de maio de 2011.
A fala dos pobres: muito barulho por nada
Trabalho há mais de 20 anos com formação inicial e continuada de professores do ensino fundamental e tenho procurado discutir com eles sobre a legitimidade dos falares populares, a necessidade de reconhecer que a língua dos pobres tem regras próprias, expressividade e economia de recursos. Não é prestigiada socialmente, não tem valor no mercado de empregos de colarinho branco, não é admitida na Academia, mas, do ponto de vista linguístico, é tão boa quanto o dialeto chamado padrão. A diferença maior é que os falantes do dialeto padrão têm o poder político, social e econômico que falta aos pobres. Não cabe à escola ignorar, ou censurar as variantes populares, mas sim respeitar a fala dos alunos e, ao mesmo tempo, ensinar a todos a empregar também a norma culta em ocasiões sociais que exigem um registro formal da língua e, principalmente, como usá-la na escrita. Sobre isso é que interessa discutir agora, e não dar continuidade a esta polêmica estéril sobre um livro destinado a jovens e adultos que reconhece a existência e a legitimidade de formas verbais típicas dos dialetos populares. As pessoas que criticaram o livro em questão – que provavelmente não leram - devem ler o capítulo "Escrever é diferente de falar", para constatar que a autora assume uma posição equilibrada e academicamente justificada em relação às variações dialetais. Além disso, o capítulo contém numerosos exercícios de concordância nominal e verbal e pontuação, rigorosamente de acordo com a gramática da norma culta. Uma ou duas frases, fora do contexto do capítulo, estão sendo utilizadas para condenar um livro e a posição da autora em favor da língua dos pobres.
Marlene Carvalho, professora aposentada da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e pesquisadora do Laboratório de Estudos de Linguagem, Leitura, Escrita e Educação (LEDUC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
quarta-feira, 30 de março de 2011
Presente de Antenor
domingo, 27 de março de 2011
Palavras
É incrível o poder que as palavras têm sobre mim. É através delas que construo minha concepção das coisas. É pelas palavras que construo o mundo e meu olhar sobre ele. Sempre foi assim. Escolhi minhas ideologias pelas palavras que me falavam de cada uma delas. Me apaixonei antes pelas palavras e depois pelas pessoas que as pronunciavam. Talvez por isto minha primeira escolha acadêmica tenha sido Letras. Talvez por isto eu goste tanto de poesias, porque nelas vejo muitas possibilidades de construção de sentidos. Elas me dão muita liberdade em ver e crer aquilo que desejo. Diferente das descrições ou narrativas mais objetivas.
Tenho retomado Guimarães Rosa, motivada pelas palavras de minha irmã, que várias vezes me falava com tanto entusiasmo da leitura de "Grande Sertão Vereda", de todas as subjetividades que ela percebia ali e que eu nunca havia sequer notado. Então encontrei poesia na narrativa e outra forma de me relacionar com as palavras.
Outra percepção que tenho de minha relação com elas está na forma como acredito naquilo que me é dito ou escrito. Se as palavras foram proferidas por alguém que amo, que estimo, que admiro, eu acredito nelas sem questionamentos. Porque a palavra é, para mim, a expressão da pessoa.
Assim tive decepções religiosas, políticas, amorosas, profissionais, acadêmicas. Mas da mesma forma também construí muitas fortalezas, que me ajudam a enfrentar o dia-a-dia da vida.
Há palavras que me sustentam e me fazem acreditar em algo e este acreditar é que me permite viver e ser feliz.
domingo, 20 de março de 2011
Guimarães Rosa
"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem."
João Guimarães Rosa
segunda-feira, 14 de março de 2011
Saudade de CasaSei que aqui é minha casa, mas em Porto Alegre, mora minha alma. Aqui tenho meu trabalho, minha rotina, meu amor (aliás é por ele que aqui estou), mas lá tenho os cheiros, as cores, as vozes e ruídos. Tenho a imagem da correria do final do dia, das caminhadas na Redenção, na beiro do Lago Rio Guaíba. Tenho as visitinhas corridas na casa dos irmãos. O almocinho de domingo, pegando um churrasco no Décio e levando prá casa minha ou da Siri, prá falar com as filhas e das filhas. Ter com quem falar da vida, Faltam-me as quintas a noite no Parangolé, ouvindo a voz do Professor Darci e os discursos marxistas da Anésia (tão bom). Faltam-me as conversas sem pé nem cabeça com a Cláu e a Rô ( e os cachorros atrás). Mas principalmente e acima de tudo, faltam meus filhos. Engraçado, porque a gente tá sempre perto, mesmo estando longe, mas sinto falta da rotina. Nunca imaginei sentir falta da rotina. De acordar a Diuca e avisar que ela não deve deixar prá sair da cama no último minuto, de ouvir as tagarelices do Tui, do vai e vem da Rô (sempre iniciando alguma coisa nova). Falta de fazer nossas dancinhas na cama e inventar histórias no almoço ou jantar. Falta de um tempo que já não existia mais, mesmo quando ainda morávamos juntos. Li o que a Nara escreveu nos comentários e penso que entendo os sentimentos da minha mãe quando ela me fala que sentes-se muito feliz em olhar prá trás.
Lá atrás estavam todos e junto de todos estava o vir a ser.
Acho que é isto que faz falta.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Depois do Carnaval
Neste feriado fiquei pensando no poder do tempo em nossas vidas. Há anos atrás o feriado de carnaval era sinônimo de muita festa, em casa, no clube, na rua. Noites sem dormir, dias de ressaca e isto era viver. Neste carnaval recebi minha mãe, minha sogra e a avó de meu marido. As idades entre 75 e 97 anos. Isto me permite conviver com outras formas de olhar para a vida. De outro ângulo. São outros prazeres, diferentes satisfações. A chuva e o frio, tão raros aqui em Campinas, não ajudaram muito, mas mesmo assim aprendi muito nestes dias.Estas três mulheres, que dentro dos limites de suas idades, não deixam de aproveitar um minuto sequer da vida, seja viajando, fazendo novas amizades, compartilhando lembranças (que nem foram construídas junto), demonstrando o prazer em estar perto dos filhos, ou simplesmente contemplando a vida, me fizeram ver que há sempre uma possibilidade de folia. Cada coisa a seu tempo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Retornando
Bem, este blog nasceu, foi semi-deletado e agora, em virtude da criação do Blog do Cemei Irmã Dulce, que não sou eu, kkkk, pretendo retomá-lo.
Aqui não falo apenas em Educação, mas na vida e nas possibilidades de vivê-la.
Como Educação constitui a maior parte da minha vida, este acabará sendo sempre o assunto
principal, mas com certeza, não será o único.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Cigarras
Tenho ouvido o canto das cigarras com muita intensidade. Não lembro de ouvi-las em Porto Alegre. Não sei se lá não haviam tantas cigarras ou se eu não tinha tempo para perceber a vida que me cercava.
Encanta-me a idéia de que a cigarra chega em determinado momento da vida em que não cabe mais em si mesma, e que se faz necessária uma mudança tão radical e, talvez, dolorosa que ela acaba livrando-se de si mesma.
E sem esta mudança ela não pode seguir a vida.
Acho poético demais, lindo demais.
Saber que é possível aceitar a idéia de que não cabemos mais em nossas vidas, não cabemos mais em nós mesmas, que precisamos romper e renascer.
Acho bom demais poder acreditar que após esta dor da mudança a vida renasce e que é possível cantar e ser ouvida novamente.
domingo, 31 de maio de 2009
Porque o Blog da Dudu?
Este espaço busca poder conversar com as pessoas que se interessam por música, poesia, educação, crianças, religião, política, futebol, humanidades, feminilidades e paixão. A paixão que move tudo isto. Não, necessariamente, nesta ordem.
Tantas coisas a aprender, tantas outras a trocar.
Novas experiências no amor, no trabalho, na cultura, no cotidiano.
Tão bom poder registrá-las e compartilhá-las com vocês.
Bjs e sejam bem vindos.
Dudu
Tantas coisas a aprender, tantas outras a trocar.
Novas experiências no amor, no trabalho, na cultura, no cotidiano.
Tão bom poder registrá-las e compartilhá-las com vocês.
Bjs e sejam bem vindos.
Dudu
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